Xixi no Banho pelo Meio Ambiente
Esta semana recebi um email que me assustou, tanto pelo sensacionalismo ambiental quanto pela natureza da campanha. A campanha promovida pelo SOS Mata Atlântica sugere que você faça Xixi no Banho para diminuir o consumo de água, o que de certa forma faz sentido visto que a maior parte da água que usamos é ou no banho ou nas descargas.

Mas visto com seus poréns, me assustei porque a campanha em seu tom de novidade e irreverência faz um enorme sucesso com uma atitude irrelevante, já culturalmente colocada pelo fato de utilizarmos assentos de privada, e não com buracos no chão (como os indianos, que no caso até evacuam no banho).
Já estamos em uma sociedade que não respeita o meio ambiente em seus aspectos mínimos, incluindo as suas frequentes relações de consumo e convivência com outras espécies. O xixi na privada deveria ser perfeitamente suportável ao meio ambiente se possuíssemos ações mais coerentes, só que em condições críticas acaba virando um problema iconizado em uma campanha ambiental.
Dentre tantos outras ações em favor do meio ambiente que podemos tomar, o fato de o xixi ser irônico, engraçado, e muito divertidamente colocado em um site bem feito, o torna uma oportunidade de campanha diferenciada, embora sua relevância não seja das melhores.
Atendendo a regra da controvérsia, a uréia reage lentamente com as estruturas complexadas presentes nos mármores e azulejos. Com o tempo isto fará com que o os azulejos do box de banho fiquem corroídos e tenham de ser trocados, fazendo com que alguém tenha de cavocar e minerar a terra para prover mais azulejos, constituindo em uma das atividades industriais de maior impacto ambiental.
Como a sílica dos azulejos também é capaz de complexar algumas substâncias presentes no xixi, isso faz com que o odor permaneça no box e o banheiro fique com aquele cheiro de “mijo velho”. Para acabar com o cheiro acaba-se utilizando mais produtos de limpeza desinfetantes e surfactantes que têm um impacto significativo em sistemas aquáticos. Tais produtos eliminam bactérias necessárias aos ecossistemas e eutrofizam nutrientes, o que acaba por superdesenvolver outras.
Dentre outros problemas que não de cunho microbiano estão a perda da tensão superficial da água - resultando na impossibilidade dos insetos planarem na água, por exemplo - e na remoção do óleo natural das penas das aves - não permitindo à elas boiarem e protegerem-se do frio.
Já no aspecto sociológico, fazer xixi no banho talvez seja mesmo o que está o mais perto possível da conscientização ambiental. Sua aceitação deve-se principalmente à irreverência e também por ser um ato que não custa dinheiro e nem afeta a vida social de ninguém por ser privativo. Só que muito mais relevante que a água gasta em casa, é a água gasta em indústrias. À medida que compramos produtos de obsolescência programada, comemos carne, usamos detergente e suportamos as grandes corporações, estaremos ainda sujeitos a achar que xixi no banho é mesmo uma alternativa ambiental.
Eu não poderia deixar de citar também a sátira “Faça cocô no banho e poupe uma árvore por ano”:
http://coconobanho.blogspot.com
A quantidade de água que vocẽ irá gastar para limpar o box e mandar para a China o seu coco ou seu xixi só irá aumentar o desperdício.
É melhor plantar eucalipto para fazer papel-higiénico.
e claro q eu faço xixi no banho, aliás eu quero preservar o meio ambiente.Afinal,papel higiênico nao cai do ceu e feito das arvoresda nossa natureza
eu concordo com a ideia de Julliana
Eu faço xixi no banho,pois, amanha nossos filhos e netos irao precisar das arvores para respirar