Whangarei, Parque Kauri e o Acampamento no Mirante de Tutukaka
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Este artigo é parte da série Diários da Nova Zelândia
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- Whangarei, Parque Kauri e o Acampamento no Mirante de Tutukaka
- O Farol de Matapouri, a Perda da Câmera e a Ponte Whananaki
- Kerikeri, Rainbow Falls e Kapowairua
- Escalada da Colina Te Karaka em Kapowairua
- O Atolamento no Extremo Norte Proibido
- Dunas de Te Paki, Cape Reinga e Tapotupotu
- O Perigo de Se Atolar em 90 Mile Beach
- Buscando o Bernardo, Dormindo no Roger e Visitando a Adidas
- Lago Rerewhakaaitu, Barragem Aratiatia, Huka Falls, Rotorua e Taupo
- Ferry de Wellington a Picton e Andando em Nelson
- A Exaustiva Trilha de 12 Horas em Abel Tasman
- Greymouth, Hokitika e Ross
- A Chegada em Arthur’s Pass
- A Subida do Mt Aicken
- As Geleiras: Fox Glacier e Franz Josef Glacier
- Quatro Dias em Queenstown
- Fiordland, Te Anau e Henry Creek
- A Grandeza de Milford Sound
- Contorcionismo Pelas Fendas de Clifden Caves
- Invercagill e Bluff
- Waipapa Pt e Jack’s Blowhole
Este dia mostrou-se muito mais rentável se comparado ao primeiro. A noite anterior em um estacionamento em Mangawhai Heads nos fez planejar a viagem um pouco melhor. Lemos os livros que tínhamos e tiramos alguns direcionamentos de viagem.
Tocamos direto até Whangarei, a maior cidade de Northland, e foi aí que comecei a presenciar o que havia de pior na viagem, as compras. Embora seja uma visão bem particular, não acho proveitoso ir até o outro lado do mundo, trabalhar que nem um louco, passar frio à noite para não gastar, e fazer… compras!
Enfim, o sucesso de uma viagem de três amigos - dois até o momento - se faz na abertura à gostos diferentes. Enquanto o Beto olhava algumas lojas eu fiquei sentado observando o movimento de sábado de manhã em uma avenida pedestre da cidade que lembra a nossa Rua XV de Curitiba.
Um rapaz careca e vestido com trajes largos me abordou e queria me vender um livro sobre filosofia hindu. Logo expressei meu interesse e contei à ele que iria à India em breve, mas não tinha dinheiro para comprar o livro. Foi então que ele me ofereceu o livro e deu-me o nome de alguns locais para procurar na India, onde eu conseguiria pouso e alguns ensinamentos.
Lojas olhadas, fomos embora rumo à única rota fixa: o norte. Mas sem antes levar uma multa de NZ$60,00 por estacionamento irregular. Confundimos o contador de vagas com aquelas caixas de central telefônica que temos no Brasil. Como a prefeitura estava fechada, decidimos passar em Whangarei na volta de Cape Reinga para pagar a bendita multa. Logo saindo da cidade vimos a placa que apontava para um parque “Cachoeiras de Whangarei”. Ótimo, vamos visitar, mas só depois de fazer um macarrão em uma mesa de piquenique pouco à frente do estacionamento.
Apesar da chuva fina, a fome colocou início à dieta de do macarrão de NZ$1,00 com o feijão vermelho de NZ$0,50. Não é fácil comer sempre a mesma coisa por um mês, mas é perfeitamente válido observando o gasto absurdo com comida que teríamos.
Depois de comer o que cozinhamos no nosso fogareiro à gás, colocamo-nos na trilha da cachoeira. Andamos um pouco - e preciso citar que o Beto colocou uma capa de chuva enorme com uma bota de borracha para não se molhar - e logo avistamos a cachoeira após amigarmos um pato que nos seguiu por um trecho.
Após as cachoeiras fomos descobrindo trilhas atrás de trilhas, até nos darmos conta que as cachoeiras ligavam-se à outro parque, o Alfred Hamish Reed Memorial Kauri Park. Com várias pontes suspensas e indicativos de espécies nativas.
Alfred Hamish Reed foi um famoso historiador e aventureiro neozelandês falecido em 1975, que registrou a história da Nova Zelândia - particularmente de Northland - e escreveu a sua ao escalar as maiores montanhas deste país, tendo inclusive andado a distância assustadora de 2.086km de Cape Reinga até Bluff, que são os extremos norte e sul das maiores ilhas da Nova Zelândia.
Neste ponto da viagem já havíamos entendido muito melhor o mapa, mas ainda continuava a dificuldade de encontrar um local para dormir. Quando passávamos pela costa de Tutukaka, caímos em um mirante numa curva acentuada que circundava uma colina, ou seja: Suficientemente escondido.
Enquanto admirávamos a paisagem, indaguei como um sátiro “Dá até pra campar aqui!”, e o Beto confidente: “Dá mesmo!”. Após verificado que não tinha nenhuma placa proibindo o acampamento, estava escolhido o local de pernoite.
Vira o carro daqui, arma a barraca dali, estrategiamos o suficiente para que ninguém nos visse. Era pura cara de pau mesmo, porque embora fosse óbvio que não poderíamos acampar em monumento público, se assim não estivesse escrito, então poderíamos.






