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Aos poucos fui tomando consciência da situação do movimento estudantil na UTFPR. Existiam somente mais dois centros acadêmicos na época, com algo em torno de 30 cursos de graduação. Eram esses o CAEPC (Produção Civil) e DAMA (Diretório Acadêmico de Móveis e Artes Gráficas). Suas existências eram relativamente desconhecidas por pessoas que não se interessavam pela informação.

A notícia de que o meu principal interesse no momento não era possível foi desestimulante:

Esqueça um espaço físico de primeiro momento.

Dito então pelo presidente e vice-presidente do DCE em uma reuniãozinha - onde eu estava começando a matar aula por causa do movimento estudantil. Isso fez demorar mais algumas semanas para voltar a idéia de que a coisa valia a pena, mesmo com o desestímulo que a universidade me dava para tal.

Passei o primeiro período me habituando. Mais reuniões com as figuras do DCE, com a coordenadora do meu curso, com mais um monte de gente que eu tentava fazer se interessar. Discutíamos sobre tudo em tom revoltoso. “O CEFET não tem isso, não tem aquilo, etc.”

Ia para a internet, pesquisava estatutos, a história do movimento estudantil e decorava discursos. Comecei aí a ver que eu estava mesmo sozinho, e que as pessoas não iam ajudar tanto quanto elas falavam que iam. Mas poxa! Eu tinha também que passar em físico-química e conseguir um estágio.

Meus veteranos me desencorajavam falando com a experiência de algumas dezenas de disciplinas:

Já tentamos isso, esqueça! Você vai desistir da idéia em poucos meses.

Não queria ser presidente, e queria empurrar isso para outras pessoas, o clima de liderança não me agradava. Acontece que todo processo político é extremamente demorado por natureza, imagine então quando não o conhecemos.

Essa fundação foi demorada e, pelo menos, de nada apadrinhada. Não via um passado, uma referência, histórico. Me faltavam argumentos de motivos para a criação de um centro acadêmico, embora houvessem de sobra para tal.

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