dscf1958fg2.th Trânsito CaóticoUma das primeiras coisas que chama a atenção quando se coloca o pé na Índia é o trânsito. Uma harmonia barulhenta entre carros, motos, riquichás, vacas e cabras - e estes últimos parecem ter preferência. A mão é a inglesa, mas contramão também parece uma regra.

Não se usa pisca, o negócio é buzina e mão pra fora, e só estrangeiros mesmo acabam usando as calçadas. O ritmo é vibrante, impressionante, e pequenos acidentes são normais.

Ao chegar em um grupo de três rotatórias conjuntas me deparei com um bolo de gente, animais e veículos. Não sabia o que fazer para chegar do outro lado. Sem faixa de pesdestres (lógico) ou nenhuma consideração (ou percepção) do fato de que eu era um pedestre.

Vejo então um casal de pedestres se dirigindo calmamente ao caos motorizado das buzinas, e entrando no meio para fazer a travessia acompanhando o tráfego rotatório, mas só que no meio da pista. Resolvi imitar. Os veículos passam a polegadas de distândia, buzinam, desviam e bufam como loucos, mas cheguei a salvo do outro lado.

Estranhamente funciona assim na maioria das cidades.

No mais, achar que vai morrer dentro de um riquichá, esperar uma cabeçada de uma vaca nas ancas e escalar a altura absurda dos meio-fios pra ter que andar na calçada torna-se normal após alguns dias.

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capturadatelagl6 Combata a Violência Animal Com Um CliqueSim, é isso mesmo. No comodismo da poltrona do seu computador você pode ajudar a acabar com a crueldade animal no mundo. ONGs, cachorrinhos e gatinhos agradecem enquanto milhares de outros ainda estão enclausurados a serviço humano.

Quão diferente de cães e gatos são as galinhas, porcos, bois e vacas? Ou melhor, quão diferente de nós? Sei que essas perguntas parecem bem infantis, mas isso acontece porque justificamos nossa superioridade e interesses ao observar a incapacidade de organização dos animais.

Os pequenos animais domésticos ganharam nosso afeto e posição nobre de “entretedores”, o que parece não importar as coisas que todos nós sabemos que são erradas e acontecem a toda hora com os demais.

Claro que isso não significa não dar atenção ao bem estar destes pequenos animais, e este texto serve como uma pequena e rouca reflexão de que se você quer mesmo ajudar os animais pode começar na próxima vez que se vestir, ou na próxima refeição.

img3092cf1.th Os PicaretasIndianos são os mestres da conversa mole. Pra quem se orgulha da malandragem e esperteza do “jeitinho brasileiro”, precisa só ver indiano. Qualquer estrangeiro é muito característico no meio das multidões, e será com certeza alvo de mentiras, trapaças e enganos. Gaiatos de plantão estão por todos os lados nas cidades, sejam eles ladrões de carteira ou motoristas de riquichá.

Em todo esse cenário em que o brasileiro já está meio acostumado é preciso muita paciência e jogo de cintura, pois se é bastante assediado por todos os lados em que se anda. As pessoas lhe param e lhe propõem coisas esquisitas em troca de pagamentos módicos, e se algum atenção for dada como uma pergunta “o quê?” ou “quanto é mesmo?”, eles já lhe têm como conquistado.

Guias estão de plantão na frente dos principais templos, e são insistentes. Chegam explicando as esculturas na maior amizade como se tudo fosse de graça. Aproximações do tipo “sou amigo de turistas” resultam em algumas surpresinhas posteriores, mas fui duro na queda e acabei ganhando algumas caronas de riquichá e informações sobre templos de graça.

Deixei esses picaretas fulos da vida, mas “se você não disse que tinha que pagar, então é de graça”.

earthlingspp4.th TerráqueosEste filme é forte e exaustivo, e sustento quanto à ele algumas críticas extendíveis à outros estrangulamentos sociais que não só o especismo.

O filme é bom, e mostra muito o que há de errado que acontece por trás daquele bifinho bonitinho. Porém, as mudanças vêm de dentro das pessoas e conversões ao vegetarianismo devido à um filme não passam de uma impressão que se vai junto com o choque das imagens.

É lamentável também que o sofrimento é algo que vende. Este documentário não seria famoso se não fosse chocante, e também basta observarmos os documentários mais assistidos que são os relacionados à caça e reprodução. Quesitos que envolvem violência animal.

O discurso deste documentário ainda assim é muito bonito e coloca em discussão diversas contradições do mercado que todos nós participamos, mas ninguém precisa assistí-lo para saber o que ocorre com os animais, afinal, como citado no próprio:

“Qualquer um com tempo e determinação para ir atrás da verdade vai virar vegetariano.”

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Vale a pena reproduzir o que eu escrevi assim que cheguei em Madras, pois retrata aquele choque que todos temos ao chegar na índia.

Cheguei em Chennai por volta das 21h. Temperatura de 30 graus, úmido e ruas molhadas. Comecei a suar de imediato, e bastante. Já orientado pelas minhas pesquisas, ignorei todo o assédio de motoristas de taxi e riquichá que lhe atacam em todos os aeroportos.

O aeroporto mais parece uma rodoviária de interior, e o táxi é um van que parece grande, mas é minúscula e que mal comporta a minha mochila. O trânsito mesmo à este horário deixa no chinelo qualquer engarrafamente de São Paulo, buzina pra tudo que é lado nessa tentativa de oganização.

No albergue não haviam mais vagas, e o negócio foi estender o isolante na recepção. Não me importei em dormir de graça logo ali. Estava sem sono e fui andar.

Passa quadra, passa quadra, me perdi. Os nomes das ruas parecem de nada servir pois não existem placas. Andei por uma hora, e nesse intervalo de tempo suei mais do que suei o ano todo, e vi mais gente jogada pelos cantos do que vi em cinco anos andando por Curitiba.

Comprei uma água gelada por treze rúpias e fui tentar dormir. Doce ilusão que os mosquitos iriam deixar.

Minha cama, lavabo, e banheiro das instalações.

dscf1362ll5.th Primeiras Impressõesdscf1363se1.th Primeiras Impressõesdscf1364pd4.th Primeiras Impressões

O cara que me disse isso ainda não experimentou comida vegetariana, e pelo jeito que ele não curte muito indiano acho que isso não acontece muito cedo.

Seja lá aonde você tenha provado comida indiana, logicamente ela é muito melhor - e muito mais barata - na própria Índia. Fiquei maravilhado com a variedade de molhos que até os menores restaurantes fazem para acompanhar os Thalis, chapatis, doces e iogurtes. Chá (chai) é de prache, no mínimo 4 vezes por dia e com leite. Chá com água é coisa de pobre.

As mil maravilhas dessa cozinha diferenciada acompanha também todos os inconvenientes da índia. Disputar seu pastelzinho com os corvos e comer com a mão sobre folha de bananeira não é pior do que dar aquela dentada numa pedra no meio do arroz.

Muita coisa é apimentada, e ainda digo que aqueles que negam a pimenta negam também um mundo de possibilidades gastronômicas. Ainda assim há lugares bem acostumados com estrangeiros que não servem comida apimentada, mas ir para a Índia e comer comida ocidental é outra contradição freqüente desse nosso mundão que não deve ser repetida.

É como no Brasil, os pratos mudam de norte a sul refletindo os costumes do povo e o “grau de ocidentalização” do local. Não espere cuidados com limpeza e banheiros, pois a concepção de limpeza é um pouquinho diferente. Basta observar os locais movimentados e torcer pra não pegar a diarréia dessa vez.

Em restaurantes mais chiques, um Thali e uma Masala Rasa.

dscf2528xz2.th Comida Vegetariana Não Tem Gosto!dscf1412bu5.th Comida Vegetariana Não Tem Gosto!

No trem, um Biriani, e na rua uma vendedora de Bajjis.

dscf2481wa7.th Comida Vegetariana Não Tem Gosto!dscf1885td8.th Comida Vegetariana Não Tem Gosto!

Fazendo a janta no deserto, bom estabelecimento em Jalsaimer, e um vendedor do viciante doce Jalebi.
dscf2961aa0.th Comida Vegetariana Não Tem Gosto!dscf2990oc5.th Comida Vegetariana Não Tem Gosto!dscf3067dp6.th Comida Vegetariana Não Tem Gosto!

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firefoxdownloaddaycp7.th O Que Há de Errado Com o Download Day?Uma companhia qualquer, observando a visibilidade que o Guiness Book dá, inventa um recorde com características particulares e favoráveis, promove um evento a respeito, quebra o recorde e ganha o título. Uma sacada de marketing bastante usada, mas ainda assim inteligente e criativa.

Diversas empresas que aproveitaram ou criaram suas oportunidades sem perder dinheiro lá estão, e o Download Day não é uma exceção. Depois do anúncio em uma página inteira do Times para comemorar o lançamento da versão 2, a Mozilla mobiliza mais um monte de gente e entra pro livro dos recordes com a versão 3 do Firefox, o software mais baixado em um só dia.

Mas tem gente que é contra software livre e esperneia, afinal, ninguém é perfeito. E carregam com si o ódio desse rivalismo meio besta entre produtos cibernéticos e suas metodologias de desenvolvimento. O que é bastante desfundamentado, pois toda essa discussão Apple vs Nokia, Windows vs Linux, Internet Explorer vs Firefox, GIMP X Photoshop, não ajuda a fazer softwares melhores. O software proprietário contribuiu muito com o software livre até hoje em termos de concepção de utilização e idéias, mas discutir Livre X Livre é o que realmente gera resultado e, o mais importante: código.

A Microsoft está no seu papel ao promover-se com a espionagem de seus usuários, assim como a Mozilla está no dela ao criar todo esse ar de comunidade e cooperativismo, explorando a inocência das pessoas ou não para tal. É o mercado e como as empresas escolheram atuar nele, e de todo possível farão para terem sucesso, o que é nenhuma novidade até então.

Palitana no Gujarat foi uma das cidades mais isoladas que visitei. Poucos falam inglês e os sinais nas ruas são ininteligíveis com o alfabeto Gujarati. Não vi nenhum turista por 6 dias, o que foi bastante proveitoso. A cidade em si é bem feia - o que não é muita novidade na Índia - ficando o foco mesmo para as escadarias dos templos jainistas. São mais de 4.000 degrais e 900 templos.

Comecei cedo a subir, e levei 3 horas para chegar até o topo. São 100 rúpias pelo direito de tirar fotos, e pelo caminho alguns trabalhadores se oferecem para te carregar como um príncipe do deserto em uma daquelas cadeiras levadas por escravos, meras 200 rúpias para tal. As pessoas que normalmente sobem as escadarias por motivos religiosos lhe seguem, porque afinal é interessante subir uma vez a colina com um estrangeiro. Vacas, cabritos e burros andam pelas escadarias como se fossem donos delas.

O complexo de templos no topo foi uma das visões mais vantajosas que tive nessa viagem. O jainismo é muito diferente das religiões que conhecemos, e a arquitetura impressiona pelo empenho de construir tal complexo no topo dessa colina que é a maior da região.

Sim, o modo como as pessoas se transportam é assustador.

dscf2589mp0.th As Escadarias de Palitanadscf2592vo2.th As Escadarias de Palitana

Detalhe para as escadarias no fundo, e para as trabalhadoras tirando uma soneca.

dscf2617tx2.th As Escadarias de Palitanadscf2755fz4.th As Escadarias de Palitana

Alguns templos são isolados durante a subida, e o complexo no topo abriga os principais deles.

dscf2633rz1.th As Escadarias de Palitanadscf2726te8.th As Escadarias de Palitanadscf2735ar5.th As Escadarias de Palitana

Na pequena basíliaca muçulmana fiz alguns amigos.

dscf2751ym1.th As Escadarias de Palitana

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dscf3064bw7.th Não Se Entende a ÍndiaAntes de ir pra Índia, fiz o que todos deveríamos fazer antes de qualquer viagem: ler quilos de material. Nisso, acabei caindo neste interessante texto, o qual o autor não teve lá uma experiência amigável com o país.

Hoje vejo leio este repúdio sobre o que eu também vi, e não posso dizer em muitas partes que o autor mente, e fica como principal fato que este texto reflete o que é a Índia para qualquer ocidental: um teste.

Pode-se visitar este país inteiro sob ar-condicionado e hidromassagem, mas ao se submeter a mochilar entre as multidões e dormir em mosteiros e ashrams - como eu fiz - nos colocamos entre a linha da dignidade humana, que na Índia é bem visível com a metade de sua população.

É claro que ver corvos comendo ratos e pessoas defecando na frente de uma loja que vende os eletrônicos que ocupam nossas mesas de escritório é contrastante, e posso adicionar muito mais itens que qualquer ocidentalizado repudia ao longo da minha extensiva viagem.

A pergunta é: Como entender e criticar uma nação com mais de 1000 dialetos e 4 religiões? Obviamente que isso não pode ser feito com nossa lógica ocidental da água quente e do assento de privada.

Somos acostumados a relevar valores culturais de acordo com sua rentabilidade, e quando falamos em oriente de modo geral, falamos também em invocar um imenso respeito que resume-se à observação e experiência. Afinal, temos muito a aprender com estes países, pois o que eles sabem sobre nós já foi-lhes imposto no passado.

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Isso não deveria ser uma polêmica e muito menos enxergado com maus olhos. Para muitos dentro da UTFPR pode parecer contradição do foco técnico e industrial voltar-se para o ensino de línguas. A lógica de que cada macaco no seu galho trabalha melhor e que em Curitiba já existe esse curso na UFPR parece suficiente para negar tais esforços.

Humanismo no caso não se limita ao CIMCO, mas à toda estrutura, disponibilidade e demanda da universidade. Se ela existe, então por quê não ir adiante? Ampliar o campo de atuação da universidade na sociedade até onde isso for possível nada mais é do que obrigação, especialmente levando em consideração o esquecimento do aspecto de serviço humano da tecnologia pelos estudantes da UTFPR.

A proposta de química, educação física, português, física, design e demais cursos fora da área de tecnologia são consequências de uma mudança de concepção que aos poucos ocorre, incluindo:

  • o amadurecimento da instituição quanto à sua capacidade e visão;
  • a insistência de departamentos que, por anos serviram como auxiliares para outros cursos, com verbas reduzidas e mais dificuldades para implementação de seus projetos do que aqueles responsáveis pelas engenharias;
  • o conhecimento de que os cursos de tecnologia são incompletos para o mercado comparativamente à cursos de engenharia e bacharelado.

Não investir na área técnica não desfoca a universidade do seu objetivo tecnológico, muito pelo contrário. A tecnologia e principalmente o mercado carece muito de compreensão da psique humana pra se desenvolver, e então ser rentável. Quem sabe finalmente não estamos rumando à um futuro onde a tecnologia será uma unidade de produção mais eficiente ao deixar os cifrões um pouquinho de lado?

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