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Muitas vezes durante este evento me perguntei exatamente isto. Qual o nosso papel em um evento como este? Qual a finalidade das forças estudantis no movimento estudantil? Como os estudantes da UTFPR podem tirar proveito dele?

Para relatar o congresso eu poderia reproduzir novamente o meu texto a respeito do CONUPE. É triste, mas cada vez mais eu enxergo menos coerência em tudo o que ouço nestas situações. Nunca acreditei em independência e autonomia partidária das organizações do movimento estudantil, e tento conviver com isso da melhor forma possível, embora às vezes me irrite profundamente vivenciar tais situações.

Tenho algumas esferas de análise para apresentar:

Por parte do DCE da UTFPR

Sempre procurei deixar muito claro que o meu principal interesse nesses eventos é a vivência universitária relacionada com a politização do estudante. Faz algum tempo que sinto-me incapaz de contribuir com tudo isso, em algumas frações por estar desacreditado e em outras por já ter dado minha contribuição. Ainda vou à estes eventos somente para incentivar que colegas meus também vão.

Por diversas vezes tentei convencer o pessoal do DCE da UTFPR que seria bastante importante que houvesse um esforço institucional da entidade para que o maior número de alunos possível da UTFPR fossem à estes eventos para serem iniciados no movimento estudantil, vivenciando um pouco a diversidade de discussão que ele nos proporciona, sendo que o envio de delegados não é importante.

Infelizmente, a entidade fecha-se em atividades internas e ignora a importância da discussão para a politização do aluno. Resultado: uma massa estudantil acéfala que não se organiza e engole tudo sem nenhum senso crítico.

Ao ser requisitado para uma reunião de avaliação do CONUNE e, sendo ciente de toda a minha concepção, o atual presidente do DCE - o meu principal representante frente à sociedade por parte da UTFPR - respondeu: “Já eu acho que uma reunião sobre o CONUNE terá a mesma importância do próprio CONUNE:nula. Se tiver uma reunião sobre eu até participo, mas já imagino o quão importante devem ter sido os assuntos.”

Não tenho como contra-argumentar com isso.

Por parte do Congresso

Antes de mais nada, a UNE deveria procurar desmistificar o fato de que encontros estudantis são, por definição, mal organizados. Infelizmente não foi desta vez que não só isso deixou de acontecer, mas também um imenso desrespeito ao estudante por submetê-lo à posição de palhaço, sem fornecer subsídios mínimos à permanência deste no evento.

Os seguintes quesitos são já conhecidos dos frequentadores desses eventos, a parte triste é que isso sempre passa batido. Alojamentos precários, falta geral de informações, ausência de diretores nas discussões, ônibus sem horários e, não só alimentação ruim, como a falta desta - a qual foi inacreditável pelo potencial risco de tumulto e mobilização policial que gerou, além da mais completa falsidade da organização do evento com a “negociação” com os manifestantes.

Isso vai continuar acontecendo enquanto continuarmos frequentando estes eventos e aceitando tais situações.

Por parte das Forças Estudantis

Desde o meu primeiro congresso, sempre tive posicionamento claro sobre como a disputa partidária é prejudicial ao movimento como um todo, desde a politização do estudante até a dirigência das entidades. Ao acompanhar o debate das forças estudantis, conclui-se que a disputa é muito mais importante do que tudo. Ambientes que não a estimulam são tomados com banalidade, porque ao invés de retornarem visibilidade e poderio político, somente constroem.

O software livre, por exemplo, é colocado nas teses como um ponto a mais na diversidade de discussão, mas não que ele seja efetivamente discutido, assim como muitas outras causas periféricas que não se enquadram no jogo de discussões de pura disputa: conjuntura, educação e movimento estudantil.

Não acusarei uma ou outra força político-estudantil de atitudes que considero prejudiciais, confusas e sem nexo. Seus próprios dirigentes compreendem os motivos e sabem das implicações destas sob pontos de vista tanto pessoais quanto de impacto na sociedade.

Acredito que uma crítica a mais ou a menos não virá a resultar numa conversão de consciências, e é por isso que continuo a construir o meu movimento independente esquivando-me o máximo possível dos interesses que regem esse tipo de negociação nos mais variados âmbitos das dirigências políticas do nosso país.

2 Comentários

mariane07 de julho de 2007 às 11:20 #

Interessantíssimo o teu texto. E não consigo discordar em nada, acho!

É triste. Mas de qualquer maneira, gostei da experiência.

beijos

amanda — 08 de agosto de 2007 às 19:09 #

Infelizmente tenho q concordar com vc!