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Em um país que tem uma organização política estável e a maioria dos seus problemas sociais relacionados à pobreza resolvidos, o sistema aproveita para lucrar de uma forma um pouquinho diferente nas causas sociais.

O parlamento neozelandês funciona como uma monarquia parlamentar democrática, ou seja: A rainha da Inglaterra diz que manda, mas quem se resolve mesmo é o parlamento e seus 8 partidos (ao contrário dos quase 40 que o Brasil possui). As discussões mais importantes relacionam-se com decisões econômicas e estratégicas, visto que os planos educacionais, assistencialistas, tributários e outros, são bem sólidos e estabelecidos, funcionando muito bem.

Embora existam as desvantagens em relação ao nosso sistema, no geral todos têm condições de consumo e progresso, até pessoas com empregos de base como eu. Laptops e carros não são objetos de classe alta, e podem ser comprados sem muito esforço e planejamento.

Os serviços públicos como ensino superior, hospitais e até estacionamentos são muito bem pagos, e pouquíssima coisa escapa da famosa GST (Goods and Services Tax - Taxa de Mercadoria e Serviços), que apesar de ser bem azeda com seus 12,5%, é única, sendo aplicada à venda de qualquer coisa, pagamento de salário, serviço, etc. Esta prosperidade econômica e a simplicidade tributária permitem melhor planejamento das pequenas empresas e organizações, inclusive as públicas e não governamentais.

A Universidade de Auckland (a maior do país) é espalhada por toda a cidade com seus prédios ornamentais, tais como este da Faculdade de Administração.

Faculdade de Administração da Universidade de Auckland

Tive a oportunidade de visitar a AUSA (Auckland University Students Association) - o que podemos chamar de um DCE (Diretório Central dos Estudantes) - é muito mais pŕatica do que política, com um extenso calendário de atividades focados pricipalmente na prática esportiva. Reuniões de conselho com autoridades da universidade são tranqüilas, principalmente quando todos podem pagar a mensalidade que todos acham caríssima, mas justa.

Auckland University Students Association

E para aqueles que condenam o passe livre, aqui está o Free Bus, um ônibus voltado especialmente para o transporte de estudantes que passa próximo aos principais campi e moradias populares da cidade.

Free Bus

Sem fome em nenhum nordeste, bolsão de pobreza em nenhuma capital e, ingenuamente, nenhuma corrupção, sobram os assuntos externos para se preocupar. Inúmeras organizações especificam um problema em alguma parte do mundo que você “pode” ajudar. O WWF salva as baleias, o Greenpeace acaba com os transgênicos e mais um punhado de organizações acabam com a fome. Vítimas de catarata na Ásia, serviço militar infantil e mutilados por minas terrestres na África, derretimento das massas de gelo no Ártico. Recebemos panfletos em casa, vemos comerciais na TV, e enormes anúncios pela rua. “Adote uma causa por apenas $20 por mês”, e por aí vai.

Não coloco em questão as causas (que logicamente, são nobres) e os meios, mas o assistencialismo vende. Artistas abraçam causas publicamente a toda hora, e isto é claro que os ajuda a ganhar simpatia. Causas fortes com imagens impactantes precisam de defensores, mas que de nada lucram sem a contratação de um publicitário.

Enquanto isso computadores feitos na China, artigos de roupa das Filipinas, fast-food de todos os tipos e Coca-Cola são consumidos. É controverso com certeza, mas não quando se aceita que o assistencialismo é elitizado, e as causas - seja lá quais sejam - são feitas acima de tudo de propaganda, não importa se do seu amigo ou se de uma agência de publicidade.

1 Comentário

douglas03 de março de 2008 às 23:41 #

É, meu velho.. São as contradições da civilização.

O mundo vai acabar em nossas mãos..

Abraço!