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Um comercial de televisão me impressionou bastante hoje. Foi o anúncio dos Postos Ipiranga para promoção de seus cartões, e era algo mais ou menos assim:

Os carros são grandes produtores de dióxido de carbono, um gás que polui o meio ambiente. O cartão Ipiranga é um cartão ecologicamente correto que planta árvores para compensar essas emissões e prover uma situação sustentável para o seu veículo.

Cartão Ipiranga

Não lembro exatamente do texto, mas o discurso é de praxe utilizado por diversas outras empresas repassando uma ideia fútil e simplista das interações ambientais dos veículos que utilizamos no dia-a-dia. É muito manipulativo dizer que árvores compensam os custos das emissões na natureza por si só, e vão aqui alguns motivos:

Carros são impedimentos ambientais a começar pela complexidade de suas matérias primas. A diversidade de material sintético é enorme e muitos deles não são recicláveis, tais como as espumas e tecidos.

As emissões não são somente o dióxido de carbono, pois também temos uma outra diversidade de óxidos sulfurosos e nitrogenados que possuem diferentes assimilações no ambiente. Cada qual com seu tempo e dificuldade, assim como ação residual.

Os químicos persistentes (de difícil degradação) são também bastante comuns. Tintas, emborrachados, acrílicos. Todos necessitam de compostos muito caros ambientalmente para serem produzidos. Há quem estude até como essas substâncias vão parar nos peixes ao caírem nos rios pelas águas que escorrem do asfalto.

Entre tantas outras existem também as insustentabilidades sociais e burocráticas que devem ser tratadas em um capítulo mais à parte na área da mobilidade, mas mesmo tomando somente o meio ambiente como ponto de partida já dá pra ver que carro é um negócio que não vale lá muito a pena.

Um outro lado desse discurso também são os famosos créditos de carbono. Plantando árvores a Ipiranga fixa o carbono necessário para venda no mercado internacional fazendo um negócio da China que rende muito às custas de um discurso ambiental inflamadíssimo.

Focar nos carros como se eles fossem a única invenção da modernidade que nos faz mal também é um equívoco, só que alegar publicitariamente que o puro e simples plantio de árvores compensa a preferência por um desconto de R$0,04 é abusar da inteligência do consumidor. E o duro é que esse abuso funciona muito bem.

2 Comentários

Guti10 de outubro de 2009 às 13:37 #

É, e ainda por cima esse plantio de árvores falado na verdade é o cultivo da monocultura do Pinus, também conhecido como deserto verde.

Vinicius Massuchetto10 de outubro de 2009 às 22:53 #

Bem lembradíssimo, e isso desqualifica mais ainda essas ações sócio-ambientais que as grandes empresas tanto propagandeiam por aí afora.