Este artigo é parte da série Diários da Nova Zelândia
- Auckland a Mangawhai Heads
- Whangarei, Parque Kauri e o Acampamento no Mirante de Tutukaka
- O Farol de Matapouri, a Perda da Câmera e a Ponte Whananaki
- Kerikeri, Rainbow Falls e Kapowairua
- Escalada da Colina Te Karaka em Kapowairua
- O Atolamento no Extremo Norte Proibido
- Dunas de Te Paki, Cape Reinga e Tapotupotu
- O Perigo de Se Atolar em 90 Mile Beach
- Buscando o Bernardo, Dormindo no Roger e Visitando a Adidas
- Lago Rerewhakaaitu, Barragem Aratiatia, Huka Falls, Rotorua e Taupo
- Ferry de Wellington a Picton e Andando em Nelson
- A Exaustiva Trilha de 12 Horas em Abel Tasman
- Greymouth, Hokitika e Ross
- A Chegada em Arthur’s Pass
- A Subida do Mt Aicken
- As Geleiras: Fox Glacier e Franz Josef Glacier
- Quatro Dias em Queenstown
- Fiordland, Te Anau e Henry Creek
- A Grandeza de Milford Sound
- Contorcionismo Pelas Fendas de Clifden Caves
- Invercagill e Bluff
- Waipapa Pt e Jack’s Blowhole
Depois de passar reto por Rotorua e zanzar um pouco em Taupo e redondezas, fomos para um acampamento que, de tão escuro nem lembramos o nome. Mais uma vez montamos acampamento à luz dos faróis do carro e dormimos sob um frio mais congelante que o da noite anterior.
Usávamos duas calças, três blusas, um saco de dormir para -5°C e mesmo assim não adiantava. Era frio na certa.
Acordamos às 4h da madrugada para pegar o ferry às 07h. Saindo pela SH1 direto para Wellington à meros 108Km/h vimos alguns holofotes na nossa traseira. Pronto! Estávamos multados em NZ$150 por excesso de velocidade por uma ultrapassagem com margem de segurança. Conversando com o guarda vimos alguns carros passando a visíveis 120Km/h, mas fazer o quê… a vez era a nossa.
Justamente as duas primeiras e únicas vezes que fui multado na vida foram na Nova Zelândia, a primeira pelo estacionamento irregular em Whangarei, e agora nessa ida à Wellington. Esta multa gerou uma pequena discussão, o que fez com o eu passasse a dirigir no lugar do Beto até uma boa parte da viagem de agora em diante.
Tínhamos agendado o Ferry pela internet dois dias antes, ainda na casa do Roger em Auckland, o que faz ele sair um pouco mais barato. Este “um pouco” é o absurdo de NZ$75 por pessoa mais NZ$80 para o carro. Viajar pela Nova Zelândia é algo realmente muito caro!
Se você observar o percurso do ferry da Ilha Norte à Ilha Sul perceberá que ele passa em meio ao que é chamado de “sounds”, que são sequências de cordilheiras muito próximas à baías com características bem recortadas pelo mar.
Talvez esteja aí o segredo para a beleza desta travessia que gera um ambiente bastante peculiar. Desde a saída da Baía de Wellington, da passagem no Queen Charlotte Sound até a atracagem em Picton são 3h de viagem. Esta viagem é particularmente bonita.
Passamos o dia em Picton com o Roger e a Stefani - que apesar de terem nomes americanizados são brasileiros, pois havíamos combinado que nos encontraríamos na travessia já há dois dias. Picton é bastante simpática e tem só umas três quadras, serve mais de ponto de passagem para o Ferry do que qualquer outra coisa.
Decidimos visitar o Parque Abel Tasman que fica no extremo noroeste da Ilha Sul, e para isso tínhamos de passar por Nelson. Como não tínhamos mais bateria para as câmeras e celulares, água, comida e outras coisas necessárias à sobrevivência, continuamos na estratégia de ir pedindo em lojas e postos de gasolina. No que esperávamos as baterias recarregarem fomos dar umas voltas pela cidade.
Nelson também é uma cidade bem bonita com amplas avenidas e construções rústicas e históricas. Surpreendentemente, depois de algum tempo e pesquisando sobre esta cidade, vi que ninguém mais ninguém menos que Ernest Rutherford - o pai da química atômica - nasceu aqui. É nessas horas que vejo a falta de estudar os lugares antes de viajar até eles. Sem muito o que fazer fui treinar meus dotes fotográficos amadores.






