Como estou ajudando o pessoal da CicloIguaçu a elaborar um relatório para o Plano Diretor Cicloviário de Curitiba, nada mais fácil do que tirar fotos do meu trajeto do dia-a-dia.
Mais fotos e detalhes sobre os lugares exatos destes problemas estão no mapa de análise das ciclovias elaborado pelo movimento cicloativista em Curitiba.
Como fiz algumas fotos de outras ciclovias que não me servem sempre, é interessante também mostrar como a estrutura cicloviária de Curitiba não me ajuda a usar a bicicleta como transporte para fazer minhas atividades diárias, como trabalhar e ir para a faculdade.
Apesar de ser ao lado da canaleta do expresso – irregularmente usada por todos nós, sempre tento fazer o trajeto pela ciclovia, já que afinal de contas ela está aí, e que ela também é relativamente melhor do que as outras ciclovias que temos na cidade.
Porém, se podemos dizer que ela é melhor, isso se dá somente porque ela é pouco movimentada por pedestres, e também porque o trecho acompanha uma linha férrea e que por isso possui uma limitação de cruzamentos, fazendo com que tenhamos menos interrupções ao percorrê-la.
É gozado também perceber como um trajeto tão curto e relativamente pouco movimentado possui tantos problemas.
E pra começar o trecho já possui diversos obstáculos com as sinalizações para veículos.
Este cruzamento aqui além de ser bastante confuso, possui obstáculos em suas esquinas e também não tem guia rebaixada. Porque esta ciclovia possui poucos cruzamentos, estes parecem ser o seu calcanhar de Aquiles.
Como o lugar de modo geral possui iluminação precária, estas placas são invisíveis à noite – especialmente na contramão, em que se vê somente o lado escuro das placas.
Este outro trecho super movimentado também não possui guia rebaixada para travessia, e além disso possui um canteiro central que é praticamente um muro para um cadeirante. A saída ou é partir para o trilho do trem ou para a canaleta do expresso.
E aí, mesmo atravessando, do outro lado temos um verdadeira pandemônio de sinalização junto com o desnível da própria linha férrea e alguns parafusos fixados no chão que eram de outras sinalizações que foram retiradas.
E como se não bastasse, logo à frente de tudo isso tem um buraco com outra sinalização, ambos exatamente no meio da ciclovia. Alguma dúvida do porquê que o ciclista está vindo pela rua?
A ciclovia toda é tomada por rachaduras. Pode-se notar que a estrutura de contenção para a linha férrea está trabalhando devagar, a cerca pende um pouco para a fora, e tudo isso puxa o asfalto da ciclovia junto. Esta foto aqui mostra uma rachadura que por enquanto não oferece risco.
Já esta daqui tem o tamanho perfeito para capturar pneus mais finos.
Esta outra já virou um degrau.
Novamente, temos problemas com o convívio dos pontos de ônibus e as ciclovias. Estre trecho mostra bem o que acontece. É impossível passar ao lado junto com um pedestre, e a má visibilidade juntamente com o trecho em descida potencializam o risco de colisão.
A cerca também não ajuda, e está pendendo para fora junto com plantas que tomaram conta da grade.
Vindo do outro lado a coisa é ainda pior com o painel de propaganda.
Uma coisa engraçada que acontece por aqui é a invasão de plantas na ciclovia. Esta daqui, por exemplo, cresceu do lado de fora e toma conta de boa parte da área de passagem. Eu acho que elas têm um aspecto muito bonito, mas os pedestres as desviam e acabam por ocupar toda a faixa nestes trechos.
Já aqui temos um caso peculiar. A ciclovia parece ter sido “imendada” com outra, e com isso não tomaram o cuidado de fazer uma curva apropriada com a pavimentação. E o pior, como se não bastasse, ainda colocaram uma placa bem no meio caso haja algum ciclista que não concorde com a manobra que terá que fazer.
Obviamente, um ciclista não passa por aqui com outro ciclista ou pedestre. A iluminação neste local é terrível, e à noite eu procuro passar pela rua junto com os carros ou pela canaleta do expresso.
Apesar de todos estes problemas, esta via nos ensina algo interessante ao demonstrar o sucesso que é a separação apropriada da circulação dos pedestres e das bicicletas, e também ao oferecer um trajeto contínuo, sem tantos cruzamentos. Como os estabelecimentos encontram-se somente do outro lado da rua, os pedestres circulam em sua maior parte por lá, mesmo com uma calçada em péssimas condições. Os pontos que possuem mais circulação de pedestres são os próximos aos pontos de ônibus, e que são justamente os piores locais para se passar de bicicleta.
Porém, eu não acredito que esta separação tenha sido planejada no projeto da ciclovia, já que existem diversos outros cuidados que não foram tomados, conforme mostrado nestas fotos. E justamente por estes motivos é que infelizmente podemos considerá-la como somente mais uma ciclovia de Curitiba, pecando em conceitos básicos que poderiam valorizar muito mais um trajeto que eu considero bastante agradável, e que também preciso fazer todos os dias.
















[...] Alguns exemplos práticos: passeio compartilhado da rua Antônio Scorsin, ou então na Affonso Camargo. Uma visão mais completa, mas que ainda não mostra todos os problemas, pode ser vista neste [...]