A Exaustiva Trilha de 12 Horas em Abel Tasman
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Este artigo é parte da série Diários da Nova Zelândia
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Saímos tarde de Nelson, pois as baterias do celular e das câmeras demoraram a carregar. Fomos até Abel Tasman, um famoso parque nacional no extremo norte da ilha sul. Chegando lá tivemos uma bela surpresa: “Não é permitido acampar no estacionamento do parque.” Tínhamos calculado mal a distância do primeiro camping que fica a meia hora de caminhada para dentro do parque, e não logo no seu estacionamento como achávamos. Foi então que passamos uma noite bem mal dormida, pois foi a primeira vez que dividimos o carro para fazer isso. Em certo ponto da viagem isso se tornaria normal, e aqui começava a adaptação.
Foi aqui que os europeus atracaram na Nova Zelândia pela primeira vez na ilha sul, e onde também logo de cara os locais Mäori atacaram os primeiros exploradores, matando um deles. Mas esquecendo o passado de lutas da Nova Zelândia, o parque - que tem o nome do tal explorador holandês - possui extensas trilhas que acompanham a praia e sobem as montanhas próximas, todas elas muito bem sinalizadas e mapeadas.
Recomenda-se que a trilha padrão seja feita em três dias, com parada nos locais de camping pré-definidos, mas como nosso objetivo era só conhecer o parque e não tínhamos todo o tempo do mundo disponível fomos só dar uma andada, só que não esperávamos que iríamos nos empolgar e estender longamente esta caminhada. Esta ponte suspensa sobre a praia é logo no início da trilha saindo do estacionamento. Devia ser umas 7h da manhã quando saímos.
E logo após o primeiro acampamento há um mirante para a praia com a maré baixa. Preste atenção nesta foto pois na volta tirei outra igualzinha.
A trilha do parque assusta de tão bem cuidada, e mesmo depois de andar várias horas ainda encontrávamos a trilha com placas indicativas, canaletas, pontes, pedra brita e drenos para a água da chuva. Imagino quem andou tudo aquilo com as ripas de madeira nas costas para depois montar as estruturas.
Como a trilha é costeira existem muitos pequenos rios e bicas à medida que se avança a costa, e existem também alguns trechos secundários com indicativos de tempo para caso os trilheiros queiram ver algum rio ou um ponto legal para a vista. É o caso da Cleopatra’s Pool. Após andar quase 4 horas encontramos esta entrada e fomos dar uma olhada na piscina, ida e volta deve ter dados uns 30 minutos.
Uma pena que estava bem frio, pois a piscina da pedra que de fato parece uma moça era bem convidativa. Decidimos neste ponto voltar, e encontramos uma outra placa indicando outra trilha secundária que desta vez subia a montanha até a Holyoake Hut, que deveria ser um abrigo para montanhistas acamparem em dias de frio. Morro acima por mais umas três horas chegamos na tal clareira que na verdade é um ponto de içamento de água por helicópteros anti-incêndios.
A cabana está bem abandonada e sem manutenção, mas dentro dela existem resquícios de que pessoas passavam por ali para descansar e pernoitar. Uma cabana num caso destes é bastante necessário visto que este parque pode ficar todo coberto de neve em dias certeiros de inverno. A vista da clareira é incrível, e pode-se ver boa parte do parque e sua baía até a Ilha Haukawakawa bem ao fundo.
Logicamente, aproveitamos para descansar um pouquinho, pois até agora já havíamos gasto pouco mais do que 8 horas caminhando.
Na volta pegamos o caminho que normalmente as pessoas pegam ao iniciar a trilha das montanhas. E fomos correndo contra o tempo no medo de que escurecesse. Passamos novamente no Stu’s Lookout e tivemos a surpresa de encontrar a maré cheia preenchendo todos os bancos de areia nos quais passeamos anteriormente.
Chegamos no estacionamento exaustos. Imediatamente foi consumido um litro de bebida reidratante por cada um de nós. Lembraríamos desta caminhada através das câimbras por mais uns três dias. No final das contas o saldo da caminhada foi contabilizado - segundo o Google - por algo em torno de 30km. Este percurso o parque recomenda para o primeiro dia, mas que se acampe na Holyoake Hut antes de continuar ou voltar.
Em miúdos, a trilha é bem leve. Fraco mesmo foi o nosso planejamento ao entrar nela.









