Minha graduação na UTFPR acompanhou os caquinhos residuais deixados pela pancada da derrubada da taxa. Mas que taxa? Bom, quem é novo não conhece, mas há algum tempo atrás nos tempos de CEFET a universidade tinha a famosa taxa de matrícula para manutenção de laboratórios. Na verdade, na verdade, a taxa não foi “derrubada”, mas passou a ser espontânea. Agora só contribui quem quiser.
Como muitas coisas que ocorrem hoje nesta universidade, aquela época todos pagavam a taxa sem reclamar muito. O valor era compulsório e semestral, destinado para a infra-estrutura dos laboratórios. O DCE que não gostando dessa história acionou a justiça que determinou a inconstitucionalidade dessa cobrança, então proibindo-a.
Eu não estava no CEFET nessa época, mas imagino o alvoroço que deu, pois quando entrei no ano seguinte, por diversas vezes ouvi de meus professores coisas do tipo “Na época da taxa, a gente tinha tal ácido.” ou “A taxa custava pouquíssimo para cada um de vocês que estudou em cursinho caro.”
Vocês têm idéia do estrago de tais frases na cabeça de um universitário de primeira viagem? No terceiro dia de aula eu já ouvi sobre a taxa de um professor mais conservador, e então me senti culpado, determinando como mesquinha a atitude de todos que estavam ali e não queriam mais pagar a taxa. Não gostei do DCE em primeiro momento. É claro que a eliminação deixou uma ferida feita pelo DCE, e começa por aí mesmo a birra de muito professor com a entidade.
Mesmo assim, algum tempo depois os departamentos insistiram e iniciavam campanhas de contribuição voluntária, entregando boletos pré-preenchidos com o nome dos alunos em sala. Surgiram até idéias de criar comissões de alunos e professores para gerenciar o dinheiro arrecadado.
Excluindo todo o debate de que cobrança - mesmo de valores módicos - na universidade é privatização, comento que na posição de coordenador de um curso e sob uma baixíssima verba, cobrar do aluno é então a maneira mais confortável de se resolver o problema, visto que a outra via começa por peitar altas chefias até chegar no governo federal, e está aí uma tarefa bem mais difícil.
Passado os esperneios e tudo mais, vi hoje uma notícia que me chamou bastante a atenção e explica um pouco melhor do porquê que essas taxas não são cabíveis, e que muito tem a ver com essa mentalidade da administração. Trata-se sobre a UFSC, onde foram proibidas as tais taxas para os serviços prestados pela administração da universidade, tais como impressão de diplomas e requerimentos.