Belo Monte de dúvidas

Escrito por Vinicius Massuchetto em 21 de novembro de 2011 Categorias: meio ambiente, política Tags: ,

Plagiando o título do artigo de Célio Bermann, também resolvi escrever sobre o assunto depois que vi o vídeo com atores da Globo em campanha contra a Usina de Belo Monte, intitulada de “Movimento Gota D’Água”. Neste vídeo, Murilo Benício, Marcos Palmeira, Letícia Sabatella, e até a Maitê Proença tirando a roupa, discursam contra a construção da usina em uma fórmula marqueteira copiada.

Como tudo que tem o dedo da Globo é suspeito, fiquei com muitas dúvidas em relação à tudo isso. Talvez a minha visão ainda reduzida sobre este assunto polêmico me impeça de ver o que ocorre por trás das movimentações. O fato é que discordo da campanha não porque ela é feita por atores “globais” – como se defender o meio ambiente fosse somente papel de índio e intelectual, mas porque ela estigmatiza ainda mais a discussão sobre esta obra, reduzindo-a a argumentos que não adentram no campo político.

O discurso mais forte para os favoráveis à usina é que o Brasil está crescendo e precisa de energia para o desenvolvimento. Se todos queremos ter microondas, computadores e iluminação em nossas casas, devemos ser a favor da usina, caso contrário vai ter apagão e teremos o caos do abastecimento de energia elétrica. Nesse contexto, o menor dos problemas seria colocar alguns índios para morar em habitações populares fora de seu território indígena – o que deve ser até mais confortável pra eles.

Mas como quase tudo que torna-se concepção popular, esta visão também é direta e simplista, para não dizer equivocada. Antes de mais nada devemos nos perguntar: A energia de Belo Monte irá mesmo servir o povo brasileiro? Este recurso a ser gerado no Pará vai atravessar 3.000km para ligar as geladeiras dos paulistas?

Temos que a construção de Belo Monte é uma questão de soberania para o Brasil, tanto quanto à biodiversidade quanto à economia. Hoje nosso país vive algumas condições absurdas no campo da exploração de minérios que envolvem, por exemplo, a exportação de ferro e alumínio e a importação de aço. A indústria de alumínio gera apenas 2,7 empregos para cada GWh, e isso acontece porque não produzimos metais para consumo interno. Somente os vendemos sem beneficiá-los em um processo industrial verticalizado.

A Usina de Belo Monte funcionará três meses por ano no período de cheias, e nesse tempo visará principalmente o abastecimento das multinacionais de alumínio e outros metais de base que demandam muita energia elétrica para serem produzidos. Neste contexto de exportação de matéria prima, não há limites para quantas hidrelétricas iremos precisar se quisermos aumentar a exploração de minérios.

A distribuição da energia elétrica no país é muito desigual. Indústrias que dão pouco retorno econômico e social são responsáveis por um alto consumo. As riquezas geradas pela exploração dos recursos da Amazônia não ficam na Amazônia, e também não possuem uma justa reposição dos impactos socio-ambientais que acarretam. Acaba que tudo vai-se embora em forma de lingotes metálicos e outras matérias primas não beneficiadas, enquanto comunidades inteiras migram para os bolsões de pobreza das periferias violentas no norte do país.

O histórico da exploração de minérios e construção de hidrelétricas no norte e nordeste é de revoltar qualquer patriota. Não há ganho econômico substancial para a região, as famílias afetadas não são apropriadamente remanejadas, e os projetos ambientais de contrapartida são irresponsáveis e insuficientemente compensatórios. Este modelo permite aos países desenvolvidos exportar sistematicamente para o Brasil os impactos ambientais da produção de matéria prima e ficar com os benefícios financeiros.

Seria muito melhor se o país revisse sua política industrial antes de investir em novas obras, e decidisse por vez se quer permanecer como mero exportador, ou se quer fazer uma exploração sustentável dos enormes recursos que possui. Em outras palavras, é preciso decidir se vamos continuar exportando energia e empregos em troca de um discurso falso de desenvolvimento nacional.

A campanha dos atores não é completamente ruim – já que chama a atenção para o tema, mas também não ajuda a politizar a discussão. Isso é em partes até compreensível, já que é muito delicado para uma movimentação deste tipo pedir para a classe média passar a compreender e apoiar os movimentos sociais, e introduzir toda uma discussão sobre um projeto político-industrial para o país que não cabe em uma mensagem direta e de fácil digestão.

Para os que querem saber mais, recomendo a leitura das análises técnico-científicas da seção de documentos do site Xingu Vivo.

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Lembranças de Filadélfia

Escrito por Vinicius Massuchetto em 20 de novembro de 2011 Categorias: política, projeto rondon Tags: , ,

No início de 2007 participei do Projeto Rondon, e passei algum tempo no norte do Tocantins, em uma cidade chamada Filadélfia. Essa cidade hoje já tem parte do seu perímetro alagado pela UHE (Usina Hidrelétrica do Estreito) do Rio Tocantins. Esse período me foi especialmente importante para hoje conseguir concluir que os projetos de hidrelétrica no país – da maneira como são conduzidos – são completamente injustos em termos de planejamento social e impacto ambiental.

Hoje pra mim também é delicado voltar nessa cidade de maneira aberta. Graças à este blog consegui fortes desavenças com o ex-prefeito PIPES (Pedro Iram Pereira do Espírito Santo), cuja forma de exercício de poder de nada difere do restante dos coronéis que mandam por aquelas bandas.

Mas não é por tudo isso que volto a escrever sobre o assunto. É que esta semana me chamou a atenção um par de notícias que vi a respeito deste pequeno município. O que acontece é que o ex-prefeito PIPES terminou sua gestão de maneira bastante conturbada administrativamente. Deixou de prestar contas e teve balanços reprovados, além de acumular severas críticas por parte de associações locais sobre a administração após a inundação de parte do município.

Mesmo assim a linhagem continuou, e PIPES elegeu seu sobrinho – Cléber Gomes do Espírito Santo – em uma situação absurda. Cléber contratou simplesmente um terço dos eleitores de Filadélfia para sua campanha, além de 350 veículos.

Por dia atravessávamos aquela cidade diversas vezes. Ela era minúscula, e tinha a extensão de algumas poucas quadras. Dá pra imaginar uma cidade desse tamanho com 1.400 cabos eleitorais e 350 carros fazendo propaganda? Deve ter sido a coisa mais cômica do mundo. E mesmo assim ele ganhou as eleições raspando, com apenas 52% dos votos.

Em Agosto, porém, Cléber teve seu mandato cassado por conta disso, só que continuou na prefeitura e não saiu de lá até hoje. O segundo candidato mais votado está pedindo intervenção por força maior no Ministério Público, o que está em vias de resolução.

Uma das minhas críticas mais pertinentes ao Projeto Rondon é a orientação que recebemos dos militares de não interferir na política local dos municípios visitados. Oras! Dispenso comentários…

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A Santa Ciclovia de Todos os Dias – Affonso Camargo

Escrito por Vinicius Massuchetto em 12 de novembro de 2011 Categorias: bicicleta Tags: ,

Como estou ajudando o pessoal da CicloIguaçu a elaborar um relatório para o Plano Diretor Cicloviário de Curitiba, nada mais fácil do que tirar fotos do meu trajeto do dia-a-dia.

Mais fotos e detalhes sobre os lugares exatos destes problemas estão no mapa de análise das ciclovias elaborado pelo movimento cicloativista em Curitiba.

Como fiz algumas fotos de outras ciclovias que não me servem sempre, é interessante também mostrar como a estrutura cicloviária de Curitiba não me ajuda a usar a bicicleta como transporte para fazer minhas atividades diárias, como trabalhar e ir para a faculdade.

Apesar de ser ao lado da canaleta do expresso – irregularmente usada por todos nós, sempre tento fazer o trajeto pela ciclovia, já que afinal de contas ela está aí, e que ela também é relativamente melhor do que as outras ciclovias que temos na cidade.

Porém, se podemos dizer que ela é melhor, isso se dá somente porque ela é pouco movimentada por pedestres, e também porque o trecho acompanha uma linha férrea e que por isso possui uma limitação de cruzamentos, fazendo com que tenhamos menos interrupções ao percorrê-la.

É gozado também perceber como um trajeto tão curto e relativamente pouco movimentado possui tantos problemas.

E pra começar o trecho já possui diversos obstáculos com as sinalizações para veículos.

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6337385952 1f11da5655 A Santa Ciclovia de Todos os Dias   Affonso Camargo

Este cruzamento aqui além de ser bastante confuso, possui obstáculos em suas esquinas e também não tem guia rebaixada. Porque esta ciclovia possui poucos cruzamentos, estes parecem ser o seu calcanhar de Aquiles.

6337385958 5f8435ec09 A Santa Ciclovia de Todos os Dias   Affonso Camargo

Como o lugar de modo geral possui iluminação precária, estas placas são invisíveis à noite – especialmente na contramão, em que se vê somente o lado escuro das placas.

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Este outro trecho super movimentado também não possui guia rebaixada para travessia, e além disso possui um canteiro central que é praticamente um muro para um cadeirante. A saída ou é partir para o trilho do trem ou para a canaleta do expresso.

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E aí, mesmo atravessando, do outro lado temos um verdadeira pandemônio de sinalização junto com o desnível da própria linha férrea e alguns parafusos fixados no chão que eram de outras sinalizações que foram retiradas.

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E como se não bastasse, logo à frente de tudo isso tem um buraco com outra sinalização, ambos exatamente no meio da ciclovia. Alguma dúvida do porquê que o ciclista está vindo pela rua?

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A ciclovia toda é tomada por rachaduras. Pode-se notar que a estrutura de contenção para a linha férrea está trabalhando devagar, a cerca pende um pouco para a fora, e tudo isso puxa o asfalto da ciclovia junto. Esta foto aqui mostra uma rachadura que por enquanto não oferece risco.

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Já esta daqui tem o tamanho perfeito para capturar pneus mais finos.

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Esta outra já virou um degrau.

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Novamente, temos problemas com o convívio dos pontos de ônibus e as ciclovias. Estre trecho mostra bem o que acontece. É impossível passar ao lado junto com um pedestre, e a má visibilidade juntamente com o trecho em descida potencializam o risco de colisão.

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A cerca também não ajuda, e está pendendo para fora junto com plantas que tomaram conta da grade.

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Vindo do outro lado a coisa é ainda pior com o painel de propaganda.

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Uma coisa engraçada que acontece por aqui é a invasão de plantas na ciclovia. Esta daqui, por exemplo, cresceu do lado de fora e toma conta de boa parte da área de passagem. Eu acho que elas têm um aspecto muito bonito, mas os pedestres as desviam e acabam por ocupar toda a faixa nestes trechos.

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Já aqui temos um caso peculiar. A ciclovia parece ter sido “imendada” com outra, e com isso não tomaram o cuidado de fazer uma curva apropriada com a pavimentação. E o pior, como se não bastasse, ainda colocaram uma placa bem no meio caso haja algum ciclista que não concorde com a manobra que terá que fazer.

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Obviamente, um ciclista não passa por aqui com outro ciclista ou pedestre. A iluminação neste local é terrível, e à noite eu procuro passar pela rua junto com os carros ou pela canaleta do expresso.

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Apesar de todos estes problemas, esta via nos ensina algo interessante ao demonstrar o sucesso que é a separação apropriada da circulação dos pedestres e das bicicletas, e também ao oferecer um trajeto contínuo, sem tantos cruzamentos. Como os estabelecimentos encontram-se somente do outro lado da rua, os pedestres circulam em sua maior parte por lá, mesmo com uma calçada em péssimas condições. Os pontos que possuem mais circulação de pedestres são os próximos aos pontos de ônibus, e que são justamente os piores locais para se passar de bicicleta.

Porém, eu não acredito que esta separação tenha sido planejada no projeto da ciclovia, já que existem diversos outros cuidados que não foram tomados, conforme mostrado nestas fotos. E justamente por estes motivos é que infelizmente podemos considerá-la como somente mais uma ciclovia de Curitiba, pecando em conceitos básicos que poderiam valorizar muito mais um trajeto que eu considero bastante agradável, e que também preciso fazer todos os dias.

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O Péssimo Estado da Ciclovia da Antônio Escorsin

Escrito por Vinicius Massuchetto em  Categorias: bicicleta Tags: ,

Ainda para fazer parte do relatório para o Plano Diretor Cicloviário de Curitiba feito pela CicloIguaçu, fizemos outro trecho que sobe do Parque Barigui até a nova ciclovia da Toaldo Túlio. Esta ciclovia é uma das piores que existem em Curitiba, dadas as mesmas falhas de projeto e o estado de abandono em que se encontra. Relato aqui os principais pontos.

Mais fotos e detalhes sobre os lugares exatos destes problemas estão no mapa de análise das ciclovias elaborado pelo movimento cicloativista em Curitiba.

A ciclovia apresenta diversas rachaduras e avarias que ocorrem com o tempo, além de desgaste com as entradas para veículos nos comércios e residências.

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É comum as avarias se agravarem devido a remendos causados por obras locais. Aqui por exemplo, aslfato de má qualidade foi colocado, o que já dá pra ver que não vai durar.

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Pontos de alagamento devido à difícil escoação de água oferecem risco, já que é facílimo perder o controle em pedrinhas e areia.

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Em diversos pontos a passagem da ciclovia é bem estreita e rente ao comércio e residências, e não dá pra passar ao lado dos pedestres.

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Aqui, por exemplo, aconteceu isso.

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Para variar o pessoal não respeita a ciclovia, e é comum ver carros estacionados e materiais armazenados de acordo com a conveniência de cada um.

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Aqui, além da placa assassina no meio da ciclovia em trecho de descida após uma esquina, tem-se também materiais de construção armazenados e com a placa servindo de contenção sinalizadora.

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Aliás, obstáculos não faltam. Este ponto de ônibus, mesmo sem ninguém esperando, tem um poste e uma placa ao seu lado.

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Postes e placas obstruem a passagem ao longo de toda a ciclovia, principalmente em esquinas logo após as guias rebaixadas.

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E aqui, além de um muro estreitar a passagem, tem-se também um poste com um buraco exatamente no meio. Um desafio.

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A sinalização está completamente abandonada.

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Partindo do Parque Barigui, após passar por diversas travessias movimentadas encontramos a primeira sinalização que indica um cruzamento com a ciclovia, na esquina com uma rua secundária pouco movimentada, escondida atrás de um poste, e que vimos só depois de passar por ela.

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Na esquina com a nova ciclovia da Av. Toaldo Túlio podemos notar este contraste. Ao lado da faixa vermelha, bonita, recém pintada, e que propagandeia o projeto de mobilidade nos ônibus da capital, temos uma sinalização de outra ciclovia avariada e abandonada.
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Podemos confirmar infelizmente que esta ciclovia só reforça o conceito de mobilidade adotado por Curitiba nos últimos anos. Apesar de fazer o trajeto que é trânsito cotidiano para diversas pessoas da zona oeste da cidade e também de levar até o agradável Parque Barigui, encontra-se em péssimas condições e funciona de modo compartilhado – o que leva a um bom risco de colisões com os pedestres – e também conta com muitas interrupções de travessia – o que ajuda a tornar o trajeto moroso de ser percorrido, desestimulando aqueles que querem utilizá-lo para ir até o Centro.

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Uma Aventura na Ciclovia da Avenida Toaldo Túlio

Escrito por Vinicius Massuchetto em 5 de novembro de 2011 Categorias: bicicleta Tags: ,

Para ajudar a CicloIguaçu em um relatório para o Plano Diretor Cicloviário de Curitiba, resolvemos pegar uma das mais recentes obras relacionadas à bicicleta.

Mais fotos e detalhes sobre os lugares exatos destes problemas estão no mapa de análise das ciclovias elaborado pelo movimento cicloativista em Curitiba, e que pode também ser visualizado com o Google Street View.

As obras feitas na Av. Vereador Toaldo Túlio tem sido um belo instrumento de propaganda da Prefeitura de Curitiba. A revitalização do asfalto, da calçada e a nova ciclovia são notícias veiculadas nos ônibus e demais mídias.

Começando aqui, na Manoel Ribas. Estranho… não deveria começar no Terminal de Santa Felicidade, que fica a umas quatro quadras daqui?

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Logo na frente o ônibus chegou e já não deu pra passar.

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Esta passagem estreita existe em todos os pontos de ônibus ao longo desta ciclovia.

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Uma minipista de treino de mountain bike. É só descer pulando os desníveis acentuados. Várias seções da ciclovia possuem desníveis assim, mas esta aqui é a parte onde eles se concentram mais.

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Cuidado com o poste, e também com quem não respeita a ciclovia.

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Um ponto aqui é que o aumento da rua “espremeu” a calçada e a ciclovia no comércio. Qualquer obstáculo já impede a passagem, e em muitos pontos a ciclovia passa rente à porta dos estabelecimentos – o que faz com que você tenha que prestar atenção em quem sai e entra nas lojas. Este problema ocorre ao longo de quase toda a Ciclovia.

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Mal fizeram a ciclovia e já trataram de quebrá-la.

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Essa daqui é boa pra treinar uns jumps radicais.

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Alguns treinos de direção.

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E aqui, se você errar vai pro buraco. É bom pra aprender de uma vez.

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Diversas placas encontram-se no meio da ciclovia. Não me arrisco por aqui à noite.

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Aqui pelo menos dá pra dar uma fina se você seguir a faixa.

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Já aqui, meldels… Não tem guia rebaixada no final da faixa, então é preciso usar outra guia um pouco antes, e se virar pra não bater nas placas na hora de entrar na ponte.

A ciclovia termina no viaduto, e com isso não vai até o Terminal do Campo Comprido, que fica a umas cinco quadras dali.

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Os pontos positivos: As faixas estão bem sinalizadas, a sinalização nas travessias ficaram muito boas, e existem muitos bicicletários ao longo da ciclovia.

Já os pontos negativos são os de sempre: Os erros técnicos são as falhas grotescas de projeto, obstáculos por toda a parte, asfalto de má qualidade e muitos remendos. Já os conceituais são a preservação do modelo de circulação compartilhada, e a finalidade principal para lazer.

Torna-se impossível usar a ciclovia se você quiser chegar de um lugar a outro de maneira ágil. Ao desviar dos pedestres, parar em todas as travessias e evitar os obstáculos, é impossível passar dos 20km/h – e isso em um sábado de manhã, quem diria então em uma sexta às 18h.

É preciso observar que, para quem passa de carro em velocidade suficiente para não se ater aos detalhes e vê a pintura bem feita, a calçada nova, as sinalizações das travessias, os bicicletários (virados para a rua), e uma faixa extra para carros com estacionamento dos dois lados, de fato fica com a impressão que trata-se de uma bela obra cicloviária.

O que ocorre é que trata-se de uma reprodução do que já foi feito em outros pontos da cidade, com ciclovias que possuem erros de projeto e servem basicamente para lazer. Infelizmente a Toaldo Túlio ainda não chega a favorecer a cultura da bicicleta em Curitiba. Vimos diversos ciclistas andando na rua quando fizemos estas fotos, eles faziam isso pelo o que é evidente: a circulação na ciclovia é muito devagar, fora o risco de atropelar pedestres – o que é bastante frequente.

O que é mais triste é que a obra já está pronta, e que com isso a Prefeitura perdeu uma bela oportunidade de integrar a bicicleta em um eixo importante de circulação da cidade.

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A Política Não é Para Poucos

Escrito por Vinicius Massuchetto em 2 de novembro de 2011 Categorias: política, textos Tags: 

Em Batatais, estou mais para turista. Venho para cá de vez em quando e nunca passo mais do que algumas semanas na cidade. Apesar de ver muitas coisas por aí, este ritmo de visitação me priva de certa forma
- por cautela e conhecimento, a remeter diversas críticas à administração da cidade.

No feriado da independência, porém, tive de passar algumas horas no pronto socorro da cidade. Em meio àquele ócio moroso de espera em ambiente hospitalar que todos conhecemos bem, nas conversas com os
pacientes notei uma profunda insatisfação generalizada com os serviços públicos. Críticas brotavam espontaneamente das pessoas, sem nenhuma necessidade de instigação. Começando – obviamente – pela saúde, e transmitindo-se rapidamente para os outros setores.

Foi aí que interrompi uma senhora que bradava convictamente sobre o prefeito. “E de que partido ele é?”, perguntei depois de ouvi-la. Ela não sabia. Também não soube informar coligação ou outras relações
construídas para o governo. Estendi a pergunta para aqueles que nos entreolhavam, e o resultado foi o mesmo. Aliás, alguns declararam sequer lembrar em quem haviam votado. Quando estive por aqui na Festa
do Leite, foi exatamente o que ocorreu quando fui à barraquinha da prefeitura perguntar a mesma coisa. Nem os atendentes requisitados para atendimento pela prefeitura sabiam.

Isso me leva a acreditar que Batatais compartilha de um problema sério com o resto do Brasil: o desinteresse e alienação em relação à política. É muito fácil, depois de ser questionado sobre o que você
não sabe, esgueirar-se em desculpas do tipo: “é tudo a mesma porcaria” ou “não faz diferença em quem eu vou votar”.

Como queremos, então, que nossas críticas se fundamentem e façam sentido se somos omissos politicamente? Se não buscamos saber um mínimo sobre o que estamos conversando?

Sem tirar nenhum pingo de razão das críticas desta senhora, sempre acreditei que “a crítica política nos condiciona a um estudo contínuo”. Em outras palavras, uma verdadeira preocupação com o espaço em que vivemos acompanha um profundo interesse pela administração dele, e isso começa pelo nosso conhecimento do perfil dos grupos que concorrem pelo poder em nossa cidade.

Enquanto conversamos na fila do hospital, nossos futuros representantes já estão pensando faz tempo nas eleições do ano que vem, e como eles dificilmente sabem o que é uma longa espera para conversar com um médico mal educado, cabe a nós pesquisar, estudar, avaliar e propor de maneira subsidiada as políticas que deveriam acabar com esse tipo de problema. Uma população um pouco mais crítica não elege picaretas.

Ao contrário do que dizem por aí, esta construção não é papel para poucos, pois todos fazemos parte da sociedade e temos igual poder intelectual para nela interferir. Não é tão difícil quanto dizem que
é. Comece perguntando-se, por exemplo, em qual projeto de lei seu vereador anda trabalhando. Ele mereceu o voto que você deu pra ele? Qual o partido dele? As pessoas que compõem este partido fariam a mesma coisa que ele?

Publicado no jornal A Tribuna de Batatais em Set/2011.

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A Admiração da Cultura do Automóvel

Escrito por Vinicius Massuchetto em 30 de outubro de 2011 Categorias: bicicleta, textos Tags: , ,

Há poucos dias acabei conhecendo o site Sinal Vermelho Curitiba, e tive que parar e escrever alguma coisinha para demonstrar o quão estupefato eu fiquei em ver tal conteúdo.

O cara fica filmando enquanto dirige e monta vídeos temáticos sobre o comportamento das pessoas no trânsito. Até aí tudo bem, seria educativo mostrar o que não deve ser feito no volante. O problema dá-se, em essência, pelo tom do cinegrafista.

Em todos os vídeos, sem exceção, ele xinga e ridiculariza todo mundo. O infrator, a população curitibana, interioranos e outros grupos. Nem sempre os argumentos são pautados em lei, basta mesmo entrar em seu caminho destoando um pouquinho que seja do comportamento que ele considera ideal.

Eis uma amostra.

O detalhe deste vídeo é como uma coisa tão besta irrita o cinegrafista. Por várias vezes ele chama o comportamento de parar um pouco distante do sinal de “doentio”, como se o fato de se irritar fortemente com isso fosse normal.

O que poderia ser um belo conteúdo educativo torna-se uma concentração de arrogância, prepotência, sarrismo e preconceito. Não existem justificativas para assumir nenhuma destas posições.

Porém, o que mais me assusta não é uma pessoa com essas características, mas a audiência que ela possui. O blog é super visitado, apoiado e comentado. Muita gente parece achar esse tom divertido, e com isso não percebem o estímulo que o conteúdo é para a hostilidade no trânsito.

Afinal, em que contexto se chama as outras pessoas de “corno”, “cavalo” ou “idiota” a não ser no pejorativo? A inconformidade de um indivíduo no trânsito te autoriza a cachotá-lo desta maneira? Isso é educativo? Ajuda?

Não tenho outra interpretação de que o blog nada mais é do que uma vítima da cultura do automóvel. Aliás, mais do que vítima, é um culto de admiração e perpetuação de valores que, com toda a certeza, seus promotores dizem querer longe de suas famílias.

Podemos fazer um contraste com a cultura da bicicleta, promovida pela Bicicletada e marcada, acima de tudo, pelo respeito e pela paz. A chacota, o embate direto e a ridicularização estão banidos do discurso, mesmo em relação àqueles que não são simpáticos às suas causas. Afrontar os outros não foi o caminho escolhido para construir uma sociedade melhor.

Agora você escolhe. Qual cultura quer pra você?

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Bicicletada Extra 23/10: Por Uma Ciclofaixa de Verdade!

Escrito por Vinicius Massuchetto em 21 de outubro de 2011 Categorias: bicicleta Tags: 

bicicletada extra ciclofaixa Bicicletada Extra 23/10: Por Uma Ciclofaixa de Verdade!

Enfim, após anos de Bicicletada reivindicando investimento em estrutura para a mobilidade urbana, é com muita insatisfação que recebemos a primeira proposta do poder público para a Bicicleta.

 Bicicletada Extra 23/10: Por Uma Ciclofaixa de Verdade!A nova ciclofaixa que será inaugurada no próximo dia 23/10 possui 4 km de extensão, não tem um plano de metas apresentado em seu projeto de expansão, trata-se de um circuito fechado no centro da cidade, e o pior: funcionará somente uma vez por mês.

Lembramos que as ciclovias de Curitiba possuem um papel recreativo, e não interligam os pontos de grande trânsito da cidade, além de se encontrarem em péssimo estado de conservação.

Com isso, a atual estrutura cicloviária (esta ciclofaixa mais as ciclovias) não favorece substancialmente um projeto de mobilidade urbana sustentável, que venha a fazer com que as pessoas definitivamente usem a bicicleta no cotidiano para se locomover de modo geral nas atividades do dia a dia.

Por este motivo chamamos esta Bicicletada Extra concomitante à inauguração da ciclofaixa. Queremos mostrar que é preciso muito mais investimento e dinamismo para fazer com que a cultura da bicicleta dê mesmo certo em Curitiba.

Compareça! Venha participar deste protesto pacífico com muito bom humor! Venha de bicicleta ou qualquer outro meio de transporte não motorizado. Vamos mostrar que estamos de olho no que a prefeitura anda fazendo!

Ajude a Divulgar Pela Web

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Novo Caso de Reembolso do Windows

Escrito por Vinicius Massuchetto em 1 de outubro de 2011 Categorias: software livre Tags: , , ,

Há um tempo atrás lembro de ter sido um dos primeiros a vir com essa história de reembolso do Windows, quando ainda morava na Nova Zelândia. O caso foi relatado aqui e teve uma boa repercussão pela internet. Enfim, este mesmo computador que eu havia comprado antes pifou. Como fiquei satisfeito com o produto Dell, resolvi comprar outro.

Se o direito de comprar um computador sem sistema operacional é uma coisa nova pra você, então dá uma olhada neste artigo da Wikipédia, muito bom e explicativo sobre o que se chama de “venda casada”.

Tem também um guia muito bom escrito pelo Otto Teixeira. Vale a pena conferir se você também quer um reembolso.

Primeiro contato

Escolhi um modelo pelo site e liguei na central de vendas da Dell para ver se eles não vendiam o tal modelo sem sistema operacional. Eu já tinha uma expectativa da resposta negativa, mas se você quer o reembolso, deve ter certeza que o vendedor se recusa a vender o computador sem o sistema operacional.

O vendedor me atendeu muito bem e disse que de jeito nenhum ele está autorizado a sequer buscar uma outra opção que não esteja dentre aquelas oferecidas no catálogo. Também solicitei que ele verificasse a possibilidade de eu comprar o produto e após isso ter o ressarcimento. A resposta também foi negativa. Argumentei que antes eu já havia feito isso com o fornecedor fora do Brasil, mas o vendedor manteve a postura. Enfim, avisei que compraria o produto mas que procuraria outras formas de negociar este reembolso. Foi uma conversa amigável.

Protocolação no PROCON

Comprei o computador, e logo que ele chegou nem quis saber o que o Windows tinha para me dizer. Já instalei o Debian e saí usando feliz da vida. Um dia depois fui no PROCON com a nota fiscal e a atendente protocolou exatamente a seguinte ocorrência, que tomei a liberdade de corrigir alguns errinhos, parafrasear e (argh) tirar da caixa alta:

O consumidor CPF Nº 000.000.00-00 adquiriu um microcomputador portátil da marca Dell junto ao fornecedor Dell Computadores do Brasil LTDA, na data de 04/08/2011, no valor de R$1149,89, sob nota fiscal Nº 00000000. Relata que no ato da compra foi solicitado que o produto não constasse o sistema operacional e softwares adicionais.

O consumidor teria sido informado pelo fornecedor que não seria possível realizar a compra sem os itens citados, entretanto, o reclamante adquiriu o produto, mas informou que após a compra efetuada solicitaria o ressarcimento acerca do valor cobrado do sistema operacional e softwares adicionais. Em contato com o fornecedor ele não obteve êxito, pois lhe foi dito que o ressarcimento não seria possível.

Atenta-se ao fato que anteriormente o consumidor já realizou esse procedimento e obteve êxito, pois o ressarcimento referente ao sistema operacional foi realizado. Face ao exposto, requer o consumidor a restituição da quantia paga referente ao sistema operacional e softwares adicionais, monetariamente atualizado. Nos termos da Lei 8078/90 Art 6º, IV; Art. 39 V.

Telefone para contato com o consumidor: (41) 0000-0000.

O fornecedor deverá resolver o problema no prazo máximo de 10 (dez) dias, a contar da data de recebimento desta carta, diretamente com o consumidor, sob pena de abertura de processo administrativo.

Enviei a carta, e alguns dias depois o Departamento Jurídico da Dell me procurou. Eu expliquei que somente protocolei a entrada no PROCON para mostrar a seriedade do meu pedido, mas que estaria muito mais interessado em resolver o problema diretamente com eles. Me disseram então que procurariam internamente como resolver o problema e que me retornariam em breve. Eu disse que não daria continuidade ao processo no PROCON – mesmo que a data limite já estivesse estourada – contanto que eles me mantivessem informado sobre estes procedimentos.

Alguns dias depois um outro funcionário me retornou, dizendo que me depositariam o reembolso de todos os softwares que foram cobrados mais uma quantia para eu enviar a etiqueta COA, localizada atrás do computador sob o espaço da bateria.

O Reembolso

Enviei a etiqueta COA com o maior prazer, e após informado o código de rastreamento dos Correios já obtive o reembolso. Detalhe que, como os Correios entraram em greve, acho que eles nem chegaram a receber a etiqueta para liberar o dinheiro pra mim.

dell Novo Caso de Reembolso do Windows

Conclusões

Se eu já gostava dos computadores da Dell, tenho mais um motivo para recomendá-los. O atendimento que recebi foi simpático e direto. Como conversei algumas vezes com os funcionários deles, gastando tempo == dinheiro, acho que seria interessante para a própria Dell ter um procedimento interno mais automático para atender uma demanda como essa. Certamente eles iriam economizar e também atrair mais usuários não-Windows.

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Hostname and Last Command on GNOME Terminal’s Title Window

Escrito por Vinicius Massuchetto em 21 de setembro de 2011 Categorias: software livre Tags: 

After I deleted some important files and got really upset about it, apart from installing trash-cli and aliasing it to ‘rm’, I also configured my GNOME Terminal to always show where I am, what I’m doing, and remind me not to be an idiot again.

It looks like this:

vim Hostname and Last Command on GNOME Terminals Title Window

To achieve it, in GNOME Terminal:

  1. Go to “Edit > Profile Preferences > Title and Command”
  2. In “When the terminal set its own title”, choose “Replace”
  3. Copy the following code in you “~/.bashrc” file
function term_title {
    echo "`hostname`: `history 1 | awk '{ for (i = 2; i <= NF; i++) printf $i" " }'`"
}
PROMPT_COMMAND='echo -ne "\033]0;"$(term_title)"\007"'
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